Publicado por: Pedro Cordier | 20/02/2009

[ARTIGO] Mais sobre o carnaval de Salvador 2009…

“(…) Já é Carnaval, cidade… acorda pra ver (…)”

Cento e dez trios elétricos vão desfilar durante a folia para que alguns baianos e um número razoável de turistas, que continuam chegando a Salvador, possam (não, necessariamente nessa ordem…):

Se embriagar – Estatísticas comprovam que o número de acidentes no trânsito e homicídios aumentam no período de carnaval por causa da bebedeira;

Saracutiar por aí procurando frete com a namorada dos outros, bater nos outros (e apanhar da polícia) – “As brigas e os furtos são, sem dúvidas o maior problema durante a festa”, afirma o coronel Aristóteles Borges, diretor de comunicação da Polícia Militar da Bahia. Grande parte desses casos, gerado por falta de bom senso, ou sacanagem mesmo, de um bando de babacas que saem por aí;

Se fantasiar de mulher – O Carnaval é visto como um grande hino à libertinagem. Logo, muitas pessoas resolvem pular cerca, dar um bacanal, curtir seu beijo gay assumido. Tem ainda aqueles que vão apenas, dar uma “saidinha do armário pra tomar ar”. Aliás, muitos conseguem convencer até a própria mãe que isso é “coisa de macho”. Outros não tem a mesma sorte e acabam nunca mais voltando pro armário. “Uma borboleta, jamais voltará a ser lagarta”, teria dito uma delas…

Avermelhar os olhos, embranquecer o nariz, usar lencinhos cheirosos, saborear docinhos – Vai me dizer que passou pela sua cabeça que os seguidores de Jah, os sacizeiros e toda essa imensa população da matrix (que faz uso consciente ou inconsequente do seu direito ilegal de abastecer seu alterego e, muitas vezes, seu próprio ego), iriam perder uma oportunidade desse nipe?

Transar sem camisinha – Tá bom, tá bom… quem nunca deu esse mole que atire o primeiro arrependimento… agora, tem muita gente que joga roleta russa, brinca de dados apostando a vida e vive dando sopa pro azar. E o Carnaval é, sem dúvidas, uma grande e larga “porta de entrada” para a AIDS e outras doenças sexualmente transmissíveis. Não vacile, use camisinha!!

Enfim… colocar pra fora toda sua decepção com:

A falta de saúde pública – Estou de LUTO pela morte de NITA. Pra quem não teve o privilégio de conhecer, uma mãezona, 53, negra e risonha (nossa maravilhosa Tia Anastácia) que trabalhou mais de 5 anos na casa da minha namorada e que fazia as comidinhas mais deliciosas que já provei na vida. Ela faleceu vítima da negligência e do descaso de “nossas” “””autoridades””” que deixaram E CONSERVAM a Saúde Pública de Salvador na UTI e a deixaram 1 ano à espera de uma histerectomia (retirada de útero por questão de saúde). Descanse em Paz, Nitinha;

A insegurança geral que assola a cidade – Só no Shopping Florestal, em Brotas, já fecharam 6 lojas, uma delas, uma farmácia. já havia sido assaltada 8 vezes. Ontem, na Barra, teve um quebra pau de cordeiros, cerca de 800, que causou transtorno, depredação de carros e prédios… uma barbárie;

O desemprego que continua preocupando – Os números mostram que a situação não é nada boa. Para se ter uma noção, a sólida e bem sucedida Embraer, que entregou 200 aviões em 2008, demitiu, de uma só vez, 4.270 funcionários, 20% do seu quadro de funcionários em nome da “Crise”;

O que não falta é motivo – Preços subindo, falta de condição de comprar sua moradia, gasolina cara, corno que tomou, doença grave descoberta, deputado com mansão milionária, galinha pulando que recebeu no carnaval e até hoje não sabe porque…

Agora, no começo do texto vocês perguntaram: “como assim alguns baianos”?

ACOMPANHEM O RACIOCÍNIO COMIGO: Se a Bahia tem 14 milhões milhões de habitantes e chegam cerca de 500 mil turistas do Barsil e de fora do país e mais uns 600 mil do interior do estado, significa que chegam cerca de 1 milhão e 100 mil turistas. Como as ruas chegam a ter 2 milhões de pessoas, ao mesmo tempo, nos 4 principais dias, vamos colocar uma média de 1 milhão de baianos na folia por dia.

Vamos dizer que haja um revezamento da ordem de 100%, ou seja, são cerca de 2 milhões de pessoas que vão às ruas em algum momento do Carnaval. Esse é o público que curte e vai ao Carnaval.

Não percam o raciocínio, 14 milhões sendo 100% dos baianos, 2 milhões é igual a menos de 15% da população baiana!! Ou seja, se a gente não for cantor de Axé (bem sucedido), produtor, dono de bloco, artista famoso, dono de camarote ou marca de cerveja, enquanto eles ganham dinheiro, a gente que se adapte a essas quase duas semanas de letargia no mercado baiano.

E TEM MAIS: O Governo vai investir, até o fim das comemorações momescas, quase 45 milhões. 22 milhões, somente na segurança pública!! Uma super preocupação NÃO COM A SEGURANÇA EM SI, MAS COM A EXPOSIÇÃO QUE A FALTA DE SEGURANÇA SERIA SUBMETIDA SE NÃO FOSSEM TOMADAS MEDIDAS PALEATIVAS DURANTE O CARNAVAL!!

Na Estação Rodoviária o movimento de chegada superou em muito ao número de passageiros que estão deixando a capital com destino ao interior. No Aeroporto, voos chegam lotados de turistas, o mesmo acontecendo no sistema ferry-boat, que faz a ligação marítima entre Salvador e a Ilha de Itaparica…

“(…) Já é Carnaval, cidade… acorda pra ver (…)”

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