Publicado por: Pedro Cordier | 27/01/2009

[ARTIGO] O sistema de ensino na Era da Conectividade

O post anterior me levou a refletir sobre a Era da Conectividade e suas contribuições para o sistema de ensino superior.

Para começar, deixaria de utilizar o nome “sistema de ensino” e passaria a adotar SISTEMA DE APRENDIZAGEM. À primeira vista, os termos não parecem tão diferentes assim, porém, um olhar mais minucioso mostra que são quase entagônicos.

De um lado, representado pelo “sistema de ensino”, encontra-se o modelo atual:

  1. Os coordenadores de curso preparam as ementas das matérias de acordo com as determinações do MEC (Ministério da Educação e Cultura);
  2. Os professores recebem a ementa e, na maioria absoluta dos casos, sem poder sequer opinar, enpurram essa enxurrada de informações previamente empacotadas, goela abaixo dos alunos (a = ausência de; luno = luz);
  3. O aluno que se vire pra entender aquelas coisas, daquele jeito (é… como dizia o Tenente Adriano, meu instrutor do NPOR – Núcleo de Preparação de Oficiais da Reserva – “enquanto o mundo gira, o aluno se vira…”);
  4. Os professores então, detentores do “poder absoluto” nas salas de aula, “avaliam” o grau de “aprendizagem” dos alunos por meio de provas e trabalhos;
  5. Os alunos que conseguirem obter a “média” passam. Os que ficam abaixo dela, fazem diversos tipos de “recuperações” para ver se, com essa oportunidade extra, conseguem chegar na média.

Ora, convenhamos!! Na grande maioria dos casos, as faculdades estão mais para museus do que para instituições de ensino superior. E não me refiro somente a equipamentos e tecnologia. Aliás, me refiro, principalmente, à qualificação de pessoas e a adoção de novos processos, como veremos a seguir.

Bom, do outro lado, representado pelo SISTEMA DE APRENDIZAGEM, encontra-se um novo modelo:

  1. Os coordenadores de curso CONTINUARIAM preparando as ementas das matérias de acordo com as determinações do MEC. Só que de uma maneira diferente. Sob uma nova percepção. O principal objetivo é o foco no aprendizado e não somente no ensino;
  2. Os coordenadores discutiriam com os professores e com um grupo de alunos (ex-alunos, calouros e veteranos) sobre os objetivos das disciplinas, seu conteúdo e sobre a metodologia aplicada (aulas expositivas, passeios, aluno dando aula, temas para discussões, aulas via internet, integração da turma via internet – BLOGs, rede sociais – e com reuniões ao ar livre para debates, estudos de caso, sistema de avaliação, notas, frequência, leitura complementar);
  3. Os alunos, alçados à posição de co-autores do projeto, aumentariam suas participações em sala de aula e, o que é muito mais importante, fora dela seu comprometimento os levariam a um estado de aprendizado contínuo, buscando sempre trazer novas fontes, novas observações. Isso iria gerar uma conexão entre a matéria dada e sua vida, aumentando a sua percepção sobre a realidade;
  4. O sistema de avaliação seria secundário diante dessa nova abordagem. Uma vez consciente de que conseguir a média é obter um desempenho medíocre e estimulado a ser uma pessoa melhor a cada dia, os resultados seriam crescentes e a avaliação tradicional ganharia a companhia da auto-avaliação, da avaliação da turma e da avaliação conceitual.

Com esse novo sistema, iremos perceber que mais importante do que a preocupação com o ensino é a preocupação com o processo de aprendizado contínuo e conectado.

Precisamos, urgentemente, de uma nova percepção do que está sendo ensinado, de como está sendo ensinado, de como isso está sendo aprendido e de quem está aprendendo.

Estamos vivenciando uma nova Era. E toda novidade passa pelo processo de aprendizado. Precisamos estar atentos à questões como inovação, empreendedorismo, criação, adaptabilidade, pois, somente acompanhar as mudanças já não basta. Temos que tomar consciência de que somos parte integrante dessas mudanças!

(Pedro Cordier)

” (…) A dinâmica do conhecimento hoje é completamente diferente, com as pessoas aprendendo “por fora” do sistema e com a depreciação do conhecimento muito mais acelerada do que em qualquer período da história, o principal papel da escola passa a ser o de preparar as pessoas para três coisas: sprender, desaprender e reaprender (…)”.

SÍLVIO MEIRA, Engº Eletrônico (ITA), Mestre em Informática (UFPE), PhD em computação (Universidade de KENT, Inglaterra), Pesquisador do CNPQ e fundador do CESAR (Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Recife).

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Responses

  1. Pedrão,
    Voce sabe que, além de seu irmão, sou seu fã. Voce está sempre antenado com as novidades, sempre enxerga além…
    Lembra que fui apresentado ao mundo dos blogs por voce através do AS COISAS NÃO SÃO BEM ASSIM?
    Hoje, além de ter um blog também (junto contigo), não fico mais sem ler e escrever… e já busco novos horizontes.
    Essa sua leitura da mudança que está acontecendo nos meios de ensino é perfeita. Muita gente ainda nem se deu conta e voce já está dando aula. É… mais pessoas precisam usufruir de seus ensinamentos, por isso voce vai se dar muito bem na área docente.
    SUCESSO!

  2. Amigo, belo texto. Já pensou em escrever profissionalmente?

    Mande esse texto para ser publicado em outros sites. Vale a pena.

    Forte abraço.

  3. Concordo com Taís…século 21…
    Mudanças, sempre!
    A educação pede mudanças!
    Estamos na era da tecnologia…temos que usar ao nosso favor!

    Adorei a idéia Pedro!
    Somos capazes de melhrar a educação, é só querer e lutar!


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